Sol e bom tempo? Ainda não, não tão cedo. Mais tempestades? Também não estão no horizonte, nem nos modelos meteorológicos, para já. Mas as previsões apontam para chuva e mais chuva. E mais vento. E mais neve. O próximo episódio mais intenso terá lugar já esta terça-feira, dia 10, com a chegada ao continente de uma enorme rio atmosférico, que trará precipitação intensa e consecutiva que se estenderá pela madrugada de quarta e que pode provocar novamente uma situação de risco nos caudais dos rios e cotas das barragens nacionais e espanholas.
A chuva, que ao longo desta segunda e terça continuará em forma de aguaceiros, trovoadas, granizo, com a passagem de frentes, sistemas frontais com origem na zona depressionária onde têm nascido todas as tempestades, intensificar-se-á terça à tarde, no litoral e nas regiões a sul do Douro com a chegada desta longa corrente de vapor de água tropical. As regiões mais afetadas? Novamente Leiria e Coimbra, e toda a zona oeste, as mais devastadas pela tempestade Kristin. Depois a chuva estender-se-á a todo o país, mas de forma menos intensa.
Assim, esta segunda-feira estão já sob aviso amarelo, por causa da passagem de um sistema frontal, das 9h00 às 15h00, 7 distritos do litoral. Lisboa, Leiria, Coimbra, Aveiro, Porto, Braga e Viana do Castelo. Na terça, há um agravamento dos alertas. Das 00h00 às 6h00 há aviso amarelo para Porto, Vila Real, Braga, Aveiro, Viseu, Viana do Castelo, que depois passa a laranja das 6hoo às 18h00. Ao longo de terça-feira, Bragança, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria, Lisboa e Santarém também terão um alerta amarelo para precipitação (que termina em todos os distritos às 18h de terça-feira)
A costa estará sob aviso amarelo para agitação marítima de Lisboa a Viana do Castelo das 6h00 do dia 10 até, pelo menos, às 6h de dia 12 — em Aveiro, Braga, Coimbra, Porto e Viana do Castelo o aviso sobe a laranja a partir das 15h de terça-feira
Como escreve um utilizador do X, o termo rio atmosférico é usado desde os anos 90, uma vez que se trata de um rio de vapor de água, em suspensão, que parte sempre da zona das Caraíbas até cair na zona mais fria da atmosfera, sobre a Península Ibérica, depois de se encontrar, ou não, com uma depressão ou com ar mais frio. Antes de rio atmosférico usavam-se outras expressões, entre elas penas ou plumas atmosféricas, dado o vapor de água que estes rios transportam.
Será o que vai acontecer esta terça-feira. Pode chover durante várias horas seguidas, em alguns momentos de forma mais intensa, aumentando a probabilidade de se acumularem grande quantidades de água em certas regiões, neste caso nas que ficam mais junto ao litoral. Admite-se vários condicionamentos, nomeadamente na circulação rodoviária.
A partir do dia 12, quinta-feira, sem que deixe de chover, haverá uma pequena mudança de padrão. Assim, quer no interior, quer sobretudo a sul, a chuva deixa de ser tão intensa, e a apenas o norte e centro, e mais no litoral, continuam expostos à passagem destas frentes. Mas o tempo instável vai permanecer, no Carnaval — que será molhado e pouco dado a cortejos em roupas mínimas — e para além da quarta-feira de cinzas.
Sol mesmo, e uma subida das temperaturas, só surgem nos modelos a partir de dia 20/22. Nessa altura, o anticiclone dos Açores, que parece ter ido passar umas longas férias para as Canárias volta para a sua posição original, ganha a sua maior intensidade e passa de novo ao seu papel de moderador de meteorologia da Península e do sul da Europa. Ainda nos manteremos no inverno, mas num inverno moderado.
Fonte: SAPO